Hoje faz 6 meses que a fria Curutiba (tanto no clima quanto na personalidade dos seus habitantes, estou brincando, nem conheço Curitibanos o suficiente para dizer isso) recebeu a bomba de carisma chamada Bruno Mars, que nessa altura da turnê já tinha adquirido uma brasilidade tão grande que atendia pelo nome de Bruno Márcio.
     Que a gente sentou no meio de uma rua residencial para esperar na fila (e provavelmente fomos odiadas pelos moradores daqueles prédios).
     Que fiquei impressionada com o tamanho daquele estádio.
     Que vimos aquela cortina vermelha cair.
     Que Eric confirmou que a genética Hernandez é muito f*d@ (caso você não saiba, esse é o sobrenome verdadeiro do Bruno e o Eric é seu irmão/baterista), virou meme, foi zoado pelo próprio irmão e mudou para sempre a visão que os fãs tinham das capivaras.
     Que ouvimos aquele "cadê as solteiras? dito em um tom que mesmo se eu não fosse solteira, eu teria virado naquele momento, desculpa meu namorado hipotético/imaginário, mas não tenho estrutura psicológica para lidar com aquele sorriso.
     Aliás, ele soltou uma série de frases meio cafajestes, mas ditas com tanta lábia e carisma que a gente cairia no golpe.
     Que desejamos que aquela "mensagem de voz" fosse para a gente.
     Que cantamos Marília Mendonça no meio de um show de um artista pop americano.
     Que cantamos funk no meio de um show de um artista pop americano (composto em homenagem ao nosso país, diga-se de passagem) e viramos o bonde do Brunão.
    Que chegou o momento em que começou chover no meio de "Talk to the moon e eu primeiro pensei que nem São Pedro estava conseguindo se conter e depois me deparei com a dúvida: perco um pedaço da apresentação tentando achar uma capa de chuva dentro de uma bolsa superlotada e tentar colocar ela no meio de uma multidão, ou sigo vendo o show? e escolhi o show, obviamente, porque nem ferrando que ia perder uma das minha músicas favoritas por causa de meia dúzia de gotas. Até porque como a gente cresce ouvindo "Você é de açúcar por acaso?"
    Que dissemos que mesmo que o mundo acabasse, nós estaríamos do lado dele e morreríamos com um sorriso (e talvez realmente fosse verdade).
      Que fomos selvagens, jovens e livres (e essa é a parte bonitinha da letra, quanto ao resto, eu prefiro deixar pra lá).
     Que uma banda inteira dançou com tanta graça e sintonia que faria inveja para uma equipe de nado sincronizado.
     Que um cotoquinho de gente, com um black power, bigode fino e um visual meio Agostinho Carrara havaiano dominou um estádio inteiro e provou que os melhores perfumes vem mesmo nos menores frascos.
    Que paguei um valor absurdo por uma camiseta, mas precisava levar algo da loja oficial da turnê.
    Que provei mais uma vez que o meu senso de direção praticamente não existe.
    Que comi pizza dentro de um ônibus, tentando absorver tudo que tinha acontecido e desejando poder fazer tudo de novo no show do dia seguinte.
    Agora tem uma legião de fãs com crise de abstinência, esperando o bonito dar um sinal de vida (que pode ser stories no Instagram totalmente aleatórios e sem noção que fazem a gente pensar: Tá tudo bem com ele? que diabos tá acontecendo?).
    O pior é que ele nos avisou sobre isso já no seu primeiro álbum (e que primeiro álbum hein? PQP, escutem Doo-Wops & Hooligans) em uma música chamada Runaway Baby onde ele diz: 

"Eu te amo tanto
É o que você vai dizer
Vocês dirá amor, amor
Por favor, não vá embora
Mas quando eu "jogo"
Eu nunca fico
Para todas as garotas que conheço aqui
É isso que eu digo
Corra, corra, corra
Corra, amor
Antes que eu coloque meu feitiço em você
É melhor você ir, ir, ir embora
Ir embora, querida
Porque tudo que você ouviu é verdade
Seu pobre coraçãozinho
Vai acabar sozinho
porque você sabe que eu sou um viajante"
 
    A gente não quis ouvir, e no momento estamos igual a Carol Biazin (uma cantora ótima que descobri recentemente) que escreveu:
"Não me parece ser real
Olha o gatilho que você me deu
Agora eu sinto a sua falta
E esse sintoma nunca passa"

    Enfim, eu poderia ficar horas aqui falando sobre sobre isso, mas o resumo é que Bruno Mars provou porque é o artista mais ouvido do mundo no Spotify e com uma música que ergueu um triplex no topo da parada.
    Volta logo pra casa Bruninho, estamos com "saodadi"

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