Reanalisando o passado

      Alguns anos atrás e fui diagnosticada oficialmente com fobia social e ansiedade. De lá para cá eu aprendi muito sobre as situações em que tenho uma crise e como lidar com isso. O fato é que usando esse conhecimento ao relembrar vários acontecimentos do passado me fizeram entender que eu sempre tive esses problemas.
      A primeira e mais óbvia situação de fobia social era a escola e faculdade, eu era o tipo de pessoa que me dava bem com todo mundo, mas que não era amiga de verdade de quase ninguém. Portanto trabalhos em grupo sempre foram meu pior pesadelo, e nem era por causa de falar em público (mentira, era um pouco por isso também) ou por preocupação com a nota, mas o meu problema era com a parte do grupo, porque sendo a pessoa tímida e introvertida que sempre fui, eu não fazia parte das panelinhas, portanto raramente eu era chamada fazer parte dos grupos, então restavam 3 soluções: ficar nas vagas abertas (como quando alguém dizia "estamos em dois, mas o trabalho é de trio, alguém ficou sem grupo?), pedir para entrar no grupo (O que era mais difícil, mas aconteceu algumas vezes) e eu simplesmente não entregar o trabalho e tentar recuperar a nota depois.
     Eu lembro de um ano que eu pedia materiais escolares que na verdade eu nem precisava, ou fazia perguntas que eu sabia a resposta, só para puxar conversa, na época foi algo intuitivo, mas vários anos depois a minha psicóloga me indicou um método semelhante, ou seja, eu não só já tinha problemas sociais, como inconscientemente já sabia o tratamento. Eu deveria ter ouvido mais a mim mesma.
     Durante a infância as coisas acabavam se ajeitando, porque como vivia em uma cidade pequena, a turma do colégio era sempre a mesma, então era impossível conviver com uma pessoa todos os dias, durantes anos e não ter pelo menos um pouco de assunto. Por isso o ápice da fobia social foi quando eu já estava na faculdade, em um lugar relativamente novo e com pouca experiência de começar amizades do zero. Tinha dias em que eu ficava sentada na sala vazia, porque não conversava muito com as pessoas, e não queria ficar sentada e dá muito na cara que estava deslocada, por isso ficava fingindo que estava procurando uma coisa na mochila, ou ficava lendo alguma coisa.
     Outra área que foi bem prejudicada foi o dos relacionamentos amorosos, eu não tinha autoconfiança suficiente para chegar nos meninos e deixar tudo nas mãos deles ás vezes não dava muito certo, por exemplo, passei tanto tempo na friendzone que poderia chamar ela de lar.
     Eu falei em outro texto sobre o fato que eu crio toda uma situação na cabeça antes dela realmente acontecer, com os relacionamentos era a mesma coisa, só que sem eu tomar a iniciativa, boa parte dos meus "casos" ficavam só em pequenos encontros sociais, noites que não davam em nada e algumas mensagens virtuais.
     Relendo um diário antigo eu percebi melhor esse comportamento, eu estava encantada com um menino que parecia importante na época, mas ele foi tão insignificante na minha vida real, que hoje em dia eu nem me lembro de ter conhecido alguém com aquele nome.
     A conclusão desse texto é que não sei se eu era uma pessoa naturalmente introvertida e isso foi aumentando até virar fobia social e ataques de ansiedade, ou eu fiquei introvertida, por causa desses problemas, ou talvez ainda pode ser que elas sejam coisas distintas que acabaram se somando. Na verdade acho que nem tem como saber, ou isso importa, o fato é que estou me tratando e trabalhando para que esses casos fiquem cada vez mais raros.

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