Hoje eu vou mudar o foco desse blog, aonde eu normalmente falo sobre ansiedade, TOC e fobia social e vou fazer uma tarefa que a minha psicóloga me deu aonde eu deveria pensar na melhor coisa que já me aconteceu e escrever sobre isso.
Mas não foi tão fácil quanto parece, eu não conseguia pensar em nada sobre o que falar, será possível que em trinta e seis anos não tenha me acontecido nada memorável? Até vieram alguns dias na minha cabeça, tipo formatura ou a festa de quinze anos, mas as melhores lembranças não vieram de um dia específico, mas de tradições que se repetiam todos os anos.
Eu fui criada em uma cidade pequena na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, do lado de lá da divisa tinha uma pequena praia na lagoa Mirim, aonde eu tinha parentes que tinham casas de veraneio, portanto todos os anos, no verão, a gente praticamente se mudava para lá, e por isso tenho várias lembranças boas da minha infância nesse lugar,
Uma coisa que acontecia muito era tentar burlar a regra de que a gente não podia ir mais fundo do que água no umbigo, no máximo no peito, mas a gente escolhia o primo mais alto para marcar esse limite. Outra diversão era escolher um ponto na praia que estava perto da maré, mas a água não chegasse, então cavávamos um buraco até achar água no fundo do buraco, não sei porque, mas parecia divertido na época. Outro assunto era: entrar na água depois de comer realmente faz mal? e quanto tempo a gente tem que esperar?
Isso só nos dias calmos, porque tinha vezes em que a gente praticamente acampava na praia, como direito a água, refrigerante, bolacha, uma camiseta ou uma toalha caso a gente ficasse com frio (ou comece a pular e correr em círculos), guarda-sol fincado na areia e tudo mais.
Acho que é por momentos como esses que eu gosto de reggatton, pessoas cantando em espanhol em um ritmo animado devem inconscientemente me fazer lembrar de férias, verão, felicidade e uma época mais simples, quando a gente falava em português e os comerciantes fingiam que entendiam e respondiam em espanhol, que a gente fingia que entendia, mas de algum jeito acabava dando tudo certo.
Outra situação que se encaixa nessa categoria são os carnavais de Jaguarão, que só para situar vocês, já ouvi sendo chamado de "Salvador do sul" mas títulos ligeralmente exagerados á parte, a cidade tem um carnaval de rua e bailes nos clubes, que eu adorava, mesmo todas as suas "chatices", como pisarem no seu pé, derrubaram cerveja na sua roupa e aquelas espumas que poderiam ser até divertidas no início, mas rapidinho perde a graça e você fica toda melada, sem contar aquelas vezes em que a roupa ou o sapato incomodavam, mas mesmo assim eu não voltava em casa para trocar.
Ah, já estava esquecendo de outro clássico do carnaval, aqueles abadás que já chamavam a atenção por si só, mas a gente enchia eles de purpurina, lantejoulas, franjas, alargavamos o decote e a gente virava um mini carro alegórico.
Você pode estar se perguntando como um evento como esse, com todos esses problemas está em um texto sobre boas memórias. Parafraseando o Chicó, de o Alto da compadecida "Não sei, só sei que foi assim".
Tem coisas que não dá para explicar, a pessoa tem que experimentar para saber.
É engraçado como a nossa memória funciona, um dia eu estava assistindo um programa na TV e alguém falou sobre como a música era importante para a família dela e como ela acordava com algo tocando. Essa pequena cena disparou um gatilho na minha cabeça e lembrei de uma canção que tocava seguido lá em casa, na minha infância e que para o meu ouvido destreinado, infantil e leigo da época soava como alguém falando "vou te varrer",nunca soube a letra real ou o título da música. Tinha outra que é mais difícil de explicar, porque o que eu escutava nem era uma palavra de verdade, mas pesquisando eu descobri que a tal palavra inexistente na verdade era a expressão "sail away" que também é o título da música da cantora irlandesa Enya que você pode Ouvir aqui
O mais curioso é que não só lembrei disso, eu podia ouvir as músicas e uma imagem da minha antiga casa surgiu claramente na minha cabeça.
Vou parar por aqui porque uma história puxa outra, que leva á outra, e aí esse texto não vai acabar nunca.
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