A vida segue em frente

     Oficialmente falando a OMS (organização mundial de saúde) decretou que a Covid19 não é mais uma emergência de saúde pública internacional desde Maio, embora ainda seja considerada uma pandemia, para ter mais detalhes leiam essa reportagem aqui. Isso não quer dizer que o perigo desapareceu totalmente (e talvez isso nem chegue a acontecer), mas na prática a queda dos casos e mortes e o grande avanço da vacinação fez muitos países voltarem ao ponto em que estavam antes de 2020. 
     Tudo isso me fez pensar que a pandemia vai deixar marcas para sempre, não exatamente físicas, mas em algumas situações e lembranças, como aconteceu com outros momentos épicos, muito provavelmente você já respondeu uma pergunta como "aonde você estava quando as torres gêmeas caíram?" só que agora a situação vai ser muito pior, porque foram acontecimentos que duraram por volta de 3 anos.
     Essa ideia me veio em 3 exemplos: O baú do meu quarto, meus óculos e programas de TV. 
     Os óculos e o baú seguem a mesma lógica: eu passava álcool compulsivamente nos objetos, mesmo naqueles que não foram fabricados para aguentar isso, então atualmente se você olhar para a tampa do móvel, ela está cheia de manchas aonde os papéis molhados de álcool tiraram o verniz dele. Já nas lentes dos óculos existem marcas que não saem mais, não importa quantas vezes eu esfregue. Aliás, se você não sabia disso, fica a dica: Nunca limpe os óculos assim, quando contei isso para atendente da ótica, ela reagiu com um sonoro e levemente irritado "Com álcool não". 
     Já as séries tem outra explicação: Para o resto da vida, todas as vezes que você olhar um programa aonde as pessoas estivessem de máscara ou se comunicando remotamente, você irá automaticamente voltar para o tempo aonde aquele grande surto exigia esse tipo de comportamento. Estava vendo um programa aonde um casal estava se casando e todos os convidados estavam de máscara, imagina pelo resto da vida, quando olhar as fotos do seu casamento, vai estar aquele mar de rostos pela metade.
     A conclusão é que desde o primeiro dia em que eu fiquei em casa (primeiro por simples bom senso e depois por recomendações profissionais e minha própria ansiedade histérica) o foco sempre foi no dia em que as coisas iam melhorar e eu pudesse voltar a minha rotina, mas nem o maior pessimista da terra teria imaginado o caminho longo e tortuoso que uniria esses dois pontos e agora que as coisas realmente melhoraram e eu estou quase voltando a minha rotina, me veio esse pensamento de que isso não seja realmente o final, porque sempre vai ter uma cicatriz.
     Eu não quero terminar esse texto de forma tão melancólica, a minha conclusão é que a Covid19 não vai ser a coisa insignificante que eu achei que seria no início, mas mesmo que tenha consequências e lembretes possivelmente permanentes, a gente vai sobreviver. É como diz o Ed Sheeran: o que começa como algo simples, pode se tornar algo ruim, mas a vida segue em frente.*

*(Life goes on, música do Cantor Ed Sheeran, 2023)

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