A ansiedade é uma doença mental e isso faz sentido porque tudo realmente começa na sua cabeça, mas depois disso você começa a sentir sintomas no resto do corpo também, por exemplo, eu sentia enjoos, falta de apetite, e outras coisas que eu vou poupar vocês dos detalhes sórdidos e ir direto ao ponto: Quando a ansiedade ataca você tem que se forçar para dar o próximo passo, mesmo com o seu corpo gritando para você fazer o contrário, e isso é uma das coisas mais difíceis que eu já tive que fazer.
Um dos maiores ataques de ansiedade que tive foi quando o elenco de The vampire diaries (série que eu adorava, diga-se de passagem) ia vir para o Brasil para um evento aonde eles iam falar sobre a série, responder perguntas, tirar foto com fãs e etc. Eu me interessei, pesquisei passagens de avião (porque eu moro em SC e o evento era no RJ), entrei em contato com hotéis e até paguei o ingresso do evento.
A partir do momento em que tomei a decisão de ir ao evento eu comecei a me sentir mal e o meu apetite simplesmente desapareceu, passei dias me forçando a comer pelo menos uma ou duas colheradas de alimento em todas as refeições, mas eu estava passando por isso porque realmente queria ir na convenção, mas nos últimos momentos antes de ir eu decidi que não teria condições e desisti de tudo. Esse tipo de evento se repetiu por uns dois ou três anos, mas aí eu já nem tentava mais. O resultado final é que não só eu não conheci os meus ídolos, como coloquei dinheiro fora, tudo por causa da ansiedade.
Uma coisa que eu esqueci de falar no texto sobre a minha vó (que você pode ler aqui) é que ela me forçava a superar a ansiedade e seguir em frente, porque ela precisava de mim, então se eu decidisse ceder aos ataques e ficar o dia inteiro deitada, ela ia passar fome, perder consultas médicas, entre outras coisas, então eu engolia o que estava sentindo e fazia o que era preciso. Na verdade eu tinha medo de que quando a vó morresse eu simplesmente desabar, porque não teria mais esse estímulo. Mas nem isso funcionava todas as vezes, teve dias que eu pedi para alguém ir no meu lugar.
Outro grande (e irônico) ataque foi quando eu tinha a minha primeira consulta na psicóloga, eu cheguei muito perto de cancelar tudo, ou pelo menos perguntar se a doutora aceitava fazer uma consulta por telefone. O que me convenceu a ir foi, primeiro, o fato de que a consulta seria o primeiro passo para resolver justamente isso e segundo, porque eu ia ter que explicar essa história para todo mundo que me perguntasse "como foi a consulta?" e isso iria ser pior do que qualquer outra coisa.
Outra indicação comum dos ataques era insônia, ou mas especificamente ficar tão nervosa que não conseguia dormir. Quando tinha algum compromisso eu ficava tensa pensando que teria acordar cedo, ou que iria ter um longo caminho para chegar até o lugar que queria ir, então eu ficava cada vez mais nervosa e quando mais nervosa eu ficava, menos eu conseguia dormir e isso resultava em noites viradas ou com um período ridiculamente curto de sono.
Um bom exemplo foi quando eu me matriculei em um curso de inglês, em que as aulas eram sábado de manhã e eu perdi a conta de quanto tempo eu demorei até conseguir ter uma noite inteira de sono na madrugada de Sexta-feira para o Sábado.
Aliás, falando nisso, eu tenho uma teoria de que o meu corpo aprendeu a seguir produzindo, mesmo depois dessas noites em claro, porque eu nunca fui uma pessoa que dorme cedo, mesmo em noites boas, mas principalmente nas ruins, então meu corpo percebeu que ia ter que se virar com o que tinha, porque se fosse esperar uma noite de oito ou nove horas de sono, ia ser difícil. Não vou dizer que fico a pessoa mais animada e ativa de todas, mas de algum jeito eu consigo concluir todas as minhas tarefas do dia.
Eu vi um vídeo de um homem que tinha acabado de ter um ataque de pânico e ele fez uma comparação bem interessante. Um ataque de pânico (ou ansiedade) é como um bug no computador, sabe aqueles momentos em que o aparelho simplesmente trava e você não consegue fazer mais nada? e quando você decide desistir de tudo que estava fazendo, o computador simplesmente volta, como se nada tivesse acontecido. A ansiedade é assim, você jura que tá quase morrendo e cancela todos os seus planos e decide ficar na segurança da sua cama, e aí cinco minutos depois não tem nem sinal de qualquer sintoma.
Tirando as teorias criadas por mim, ou alguém na internet, vamos ao fatos científicos: Quanto mais você cede e deixa a ansiedade "ganhar", mais o seu cérebro acredita que ela é invencível e pior a situação fica. Então eu criei uma tática: Se o único motivo para não fazer algo é a ansiedade, é aí mesmo que você deveria fazer.
Comentários
Postar um comentário